P H O T O G R A P H Y

angelasairaf

  • Instagram
  • Wix Facebook page
  • Wix Twitter page
  • Blogger App Icon
  • LinkedIn Social Icon
  • Vimeo Social Icon

           If I were Brenda Sherman

I'm not sure if Brenda Sherman had come from Glasgow, Edinburgh, Athens, Corfu, Milan or Delhi that day. Or if maybe she had been on my flight from Madrid. Probably not: The pick up guide would not have been there waiting for her.  My flight, or ours, had been delayed by four hours. The fact is that Brenda and I arrived at Heathrow about the same time. I carried only a backpack with some clothes, my photographic equipment, and some (my habitual) irreverence. Brenda, however, must have checked a bag, which would explain why she exited customs after me. I had never heard of Brenda. I had not the slightest idea of her existence, provenance, appearance, competence, coexistence, belonging, intelligence, urgency and perhaps clairvoyance. This last characteristic being the only one capable of generating some concern in me. It was as if Brenda had never existed, until the moment I left the baggage hall. I was in a hurry, rather keen to get home. The four hour delay had been significant, disturbing, delirious, yawning, overwhelming, burdensome, strenuous, decisive, thriving. I knew no
one would come to hug me at the airport, but still, with vain hopes, my eyes gathered in everyone who stood anxiously, anticipating the kisses of their beloved ones arriving from other lands. A little farther to the right, a considerable number of drivers were lined up. They were waiting for Natasha Miu, Mr. Brown,
Peter Collins, Paul Parker, Brenda Sherman, John ... Brenda Sherman! A slightly bald man with large, expressive, black eyes behind his glasses, a striped blue and white shirt and black pants held the paper in front of his belly with his both hands. The sign said “BRENDA SHERMAN” written by hand in capital letters with an orange marker. I looked into his eyes. I smiled. And walked with determination in his direction.

          Si yo fuera Brenda Sherman

No estoy segura de si aquél día Brenda Sherman venía desde Glasgow, Edinburgh, Athens, Corfú, Milan o Delhi. O si tal vez hubiera estado en el mismo vuelo que yo desde Madrid. Probablemente no. Hubiera sido así y el transferista ya se hubiera marchado: Mi vuelo –o el nuestro– había despegado con cuatro horas de retraso. El hecho es que Brenda y  yo llegábamos a Heathrow más o menos a la misma hora. Yo llevaba solamente un mochila con algunas prendas, mi equipo fotográfico y alguna  (mi habitual) irreverencia. Brenda, sin embargo, puede que hubiera facturado una maleta, lo que explicaría la razón de haber dejado la sala de recogida de equipaje después de mí. Yo nunca había escuchado hablar de Brenda. No tenía la más mínima idea acerca de su existencia, procedencia, apariencia, competencia, convivencia, pertenencia, inteligencia, urgencia y tal vez clarividencia. Esta última característica era la única capaz de generarme alguna preocupación. Hasta el momento en el que
dejé la sala de recogida de equipaje, es como si Brenda nunca hubiera existido. Yo tenía prisa, más bien ganas de llegar a casa: el retraso de 4 horas había sido significante, inquietante, delirante, bostezante,agobiante, alborotante, extenuante, determinante, pujante: yo sabía que nadie venía a abrazarme en el aeropuerto, aún así, munida de esperanzas vanas, miré a
cada una de las personas que, ansiosas, aguardaban los besos de sus amados que venían de algún lugar. Un poco más a la derecha, se alineaba una considerable cantidad de transferistas. Esperabam a Natasha Miu, Mr. Brown, Peter Collins, Paul Parker, Brenda Sherman, John... ¡Brenda Sherman! Un hombre un poco calvo con grandes y expresivos ojos negros detrás de las gafas, camisa de rayas en azul y blanco y pantalón negro sujetaba un papel con las dos manos, delante de la barriga. El cartel decía "BRENDA SHERMAN" escrito a mano todo en mayúsculas, con marcador naranja. Le miré a los ojos. Sonreí. Y caminé firme en su dirección.

          Se eu fosse Brenda Sherman

Não tenho certeza se aquele dia Brenda Sherman vinha de Glasgow, Edimburgo, Atenas, Corfu, Milão ou Delhi. Ou se talvez estivesse no mesmo voo que eu, desde Madrid.

Provavelmente não. Tivesse sido assim e o transferista já teria ido embora. Meu voo –ou o nosso– tinha decolado com 4 horas de atraso. O fato é que Brenda e eu chegamos a Heathrow mais ou menos no mesmo horário. Eu levava apenas uma mochila com algumas roupas, meu equipamento fotográfico e alguma (minha habitual) irreverência. Brenda, no entanto, talvez tivesse faturado alguma mala, o que explicaria ter deixado a sala de retirada de bagagens depois de mim. Eu nunca tinha ouvido falar de Brenda. Não tinha a menor ideia sobre a sua existência, proveniência, aparência, competência, coexistência, inteligência, urgência e talvez clarividência –esta última característica era a única capaz de gerar alguma preocupação em mim. Era como si Brenda jamais tivesse existido. Eu estava com pressa, mais que isso, estava louca para chegar em casa. O atraso de quatro horas tinha sido delirante, extenuante,  significante, determinante: eu sabia que ninguém viria ao aeroporto para abraçar-me. Mesmo assim, munida de esperanças vãs, meus olhos deslizaram por cada uma das pessoas que, ansiosas, aguardavam os beijos de seus amados que vinham de algum lugar. Um pouco mais à direita, una grande quantidade de transferistas alinhados esperavam Natasha Miu, Mr. Brown, Peter Collins, Paul Parker, Brenda Sherman, John... Brenda Sherman! Um homem meio calvo com grandes e expressivos olhos negros atrás dos óculos, camisa listrada azul e branca e calças pretas segurava um papel com as duas mãos diante de sua barriga. O cartaz dizia "BRENDA SHERMAN". Estava escrito à mão todo em maiúsculas, com canetinha laranja. Olhei em seus olhos. Sorri. E caminhei firme em sua direção.